
Computação em nuvem facilita a visão holística
Brasil acompanha o cenário mundial de adoção de infraestrutura em nuvem, com penetração praticamente total em empresas de grande porte
Por Martha Funke — Para o Valor, de São Paulo
Na BMW, o processamento diário de cerca de 10 terabytes de dados, gerados por 1,2 milhão de veículos, sustenta desde insights em tempo real a assistentes pessoais veiculares, tudo a partir de dados de telemetria de veículos e clientes. Na Pedra Agroindustrial, dados de desempenho das plantas, solo, chuvas, declividade e pragas permitem definir a variedade de cultura de cana com melhor aproveitamento para cada área, enquanto o governo de Angola combina informações diversas para monitorar a gestão de mais de 500 projetos de 15 províncias.
Os exemplos mostram a relevância da integração de dados maciços de diferentes áreas das empresas para apoiar tomada de decisão, tendência acirrada pelo maior uso da inteligência artificial (IA). O cenário é favorecido pela computação em nuvem, dada sua capacidade elástica de armazenamento e processamento.
O Brasil acompanha o cenário mundial de adoção de infraestrutura em nuvem (IaaS), com penetração praticamente total em empresas de grande porte, conforme Luciano Ramos, country manager da consultoria IDC. O segmento deve avançar 18,6% neste ano, e o crescimento alcança até 25% no caso de softwares (SaaS).
Em infraestrutura, a estratégia é prioritariamente híbrida, com nuvem pública somada a data center tradicional, dentro de infraestrutura própria (“on-premise”) ou de terceiros, ou mesmo nuvem privada. Do ponto de vista de aplicações, prevalece a nuvem múltipla (“multicloud”), com provedores diferentes. “A nuvem facilita a visão unificada”, diz Ramos.
A AWS investe em serviços para unificar informações mesmo enquanto soluções “on-premise” ainda consomem cerca de 85% dos gastos globais com tecnologia (TI), segundo a líder de soluções para clientes Fernanda Spinardi. A BMW, um dos exemplos maduros, baseia na AWS seu repositório (“date lake”) para desenvolver soluções orientadas a dados. Outro exemplo é o Grupo Boticário, que depois de unificar dados em nuvem desenvolveu assistente de compras com IA que aumentou a conversão de vendas em 46%.
“A nuvem tem impulsos como modernização de aplicações e dados para IA”, avalia Spinardi. Para cruzar “silos” de informação, a empresa lançou o Quick, assistente que conecta desde e-mail e calendários a documentos e “data lakes”, “raciocinando” sobre essas fontes para entregar respostas em segundos.
Dados da pesquisa “CEO Study 2025”, do IBM for Business Value (IBV), com 2 mil dirigentes de 33 países, indicam que 68% dos CEOs consideram uma arquitetura integrada de dados essencial para a colaboração entre áreas da empresa. “Em ambiente impulsionado por IA e análises de dados [analytics], é necessário transformar dados dispersos em visão única do negócio”, explica Thiago Videira, head de nuvem para a América Latina na IBM. De acordo com ele, o desafio de superar a fragmentação prescinde de centralização, já que arquiteturas híbridas e “multicloud” permitem conectar aplicações e dados seja onde estiverem hospedados, por meio de acesso seguro e governado às informações.
A Pedra Agroindustrial optou pela centralização, com organização e orquestração da base iniciada há cinco anos apoiada pela consultoria Stefanini. Mais de cem soluções estão conectadas à base para IA e aprendizado de máquina em nuvem, reunindo desde dados administrativos até os capturados por equipamentos no campo. “Em ambiente interno seria necessário comprar infraestrutura visando médio prazo. Em nuvem, o investimento é orgânico, na medida que traz retorno”, explica o coordenador de TI Wanceslau Marcomino.
A consultoria Simbiox apoiou o governo de Angola na implantação de um projeto para o fortalecimento da governança que combina dados, georreferenciamento, “analytics” e IA para transformar informações dispersas em indicadores para tomada de decisão. Já a cooperativa paranaense Coasul aposta em nuvem privada, com plataforma da Nutanix, que reúne bancos de dados, arquivos corporativos e sistemas. “A integração reduziu silos tecnológicos entre processamento, armazenamento, proteção e gestão”, conta o gerente de infraestrutura da Coasul, Juliano Drehmer.
Fonte: Valor Econômico — Computação em nuvem facilita a visão holística














